Oficinas culturais promovem diálogo entre música, memória e saberes indígenas
Estudantes do Curso de Educação Intercultural tiveram experiências com criação musical e refletiram sobre colonialidade e espiritualidades

O Núcleo de Direitos Humanos (NDH) promoveu duas oficinas culturais como parte das atividades de estágio de docência dos alunos doutorandos Veronise Lima Rebouças e Erick Christhian Braga, no Instituto Takinahakỹ de Formação Superior de Professores Indígenas, no âmbito do Curso de Educação Intercultural e da disciplina Pluriepistemologias e Crítica às Dicotomias Ocidentais.
Realizadas em 7 de agosto, as atividades reuniram estudantes do curso em momentos de criação, reflexão e troca de saberes, valorizando os conhecimentos ancestrais, as identidades culturais e o protagonismo dos povos indígenas.
Uma das atividades foi a oficina “Do Bambu ao Beat: Nossas Histórias em Som”, que integrou música, memória e identidade cultural. A partir da utilização de instrumentos artesanais, de referências da produção musical indígena contemporânea e da criação coletiva de letras, os participantes produziram composições inspiradas em suas próprias experiências.
A oficina possibilitou a valorização das línguas indígenas, dos saberes tradicionais e de diferentes formas de produção de conhecimento, utilizando a linguagem musical como instrumento de expressão, escuta e criação coletiva. O encontro também evidenciou a potência da música como espaço de fortalecimento das identidades e das pluriepistemologias indígenas.
A segunda atividade foi dedicada à análise do documentário “Ex-Pajé”, proporcionando aos estudantes um espaço de debate e reflexão sobre temas como colonialidade, espiritualidades indígenas, direitos humanos e as dualidades produzidas pelo pensamento ocidental, entre elas, natureza e cultura, corpo e espírito, ciência e saberes tradicionais.
A partir da obra, os estudantes discutiram os processos de resistência e permanência dos conhecimentos ancestrais dos povos indígenas, refletindo sobre a legitimidade de suas epistemologias e cosmologias e sobre os impactos dos processos coloniais na preservação e transmissão desses saberes.
Realizadas no Núcleo de Direitos Humanos (NDH), as duas oficinas reafirmaram a importância de espaços acadêmicos comprometidos com o diálogo intercultural e a valorização dos conhecimentos indígenas, contribuindo para a construção de práticas educativas que reconheçam a diversidade de saberes e diferentes modos de compreender o mundo.
As atividades também integram as experiências de formação e docência dos doutorandos Veronise Lima Rebouças e Erick Christhian Braga, fortalecendo a aproximação entre universidade, educação intercultural e os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas.
Beatriz Reis - estudante de jornalismo


