Festival Entre Leis e Silêncios premia produções audiovisuais sobre feminicídio e direitos humanos
A primeira edição do festival reconheceu obras que se destacaram pela qualidade narrativa e pela abordagem de temas relacionados às violências de gênero e às minorias.
Pódio das vencedoras do Festival, na foto estão as representantes dos minicurtas Lar, Arquivado e Vá pro inferno! respectivamente (Foto: Otávio)
A primeira edição do Festival de Minicurtas Entre Leis e Silêncios: Feminicídio e Minorias chegou ao fim na noite da última quarta-feira (18), com a cerimônia de premiação realizada no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG). O evento reuniu estudantes, professores e comunidade acadêmica para celebrar produções audiovisuais que abordaram, de forma sensível e crítica, temas relacionados às violências de gênero, aos direitos humanos e às desigualdades sociais.
O grande vencedor do festival foi o minicurta "Vá pro inferno!", de Mikaela Schmidt, que conquistou o primeiro lugar pela forte narrativa e pela abordagem contundente da temática proposta. Em segundo lugar ficou "Arquivado", produzido por Álvaro Josias Franczak, Bruna Da Paixão Santana, Carla Lima de Moura, Felipe Machado e Hiago Leandro, destacando-se pela construção audiovisual e pela reflexão sobre os silenciamentos institucionais. Já a terceira colocação foi conquistada por "Lar", de Rafaela Ribon Ogera, obra que emocionou o público ao abordar questões relacionadas à violência e às crianças que são testemunhas.



Ao todo, a primeira edição do festival recebeu 18 trabalhos inscritos, dos quais dez foram selecionados para a etapa final. As obras apresentaram diferentes perspectivas sobre o tema "Entre Leis e Silêncios: Feminicídio e Minorias", propondo reflexões sobre as múltiplas formas de violência que atingem mulheres e grupos historicamente vulnerabilizados, além dos desafios enfrentados pelo sistema de justiça e pela sociedade no combate a essas desigualdades.
Estudantes da Faculdade de Direito e convidados a prestigiar a cerimônia de premiação (Foto: Isadora)
Banca de juradas dos minicurtas do Festival (Foto: Luiz Henrique)
Professor João da Cruz realiza abertura da cerimônia de premiação (Foto: Otávio)
Promovido pela disciplina Relações de Gênero e Direito, da Faculdade de Direito da UFG, com apoio do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa, Ensino e Extensão em Direitos Humanos (NDH/UFG), o festival nasceu com o objetivo de estimular a criatividade e o pensamento crítico por meio da linguagem audiovisual, incentivando a produção de narrativas capazes de sensibilizar o público e ampliar o debate sobre equidade, justiça social e direitos humanos.
A iniciativa foi idealizada e desenvolvida de forma coletiva pelo professor João da Cruz e pelas turmas da Faculdade de Direito envolvidas na disciplina. Segundo o docente, a ideia do festival surgiu a partir de experiências anteriores com o cinema e do uso constante do audiovisual em suas atividades acadêmicas. "Há muitos anos participei de um festival semelhante, um festival de cinema de um minuto. Como eu sempre trabalhei com cinema e uso isso como uma ferramenta importante e prazerosa nas minhas aulas, resolvi trazer essa experiência para dentro da disciplina", explicou.
O professor destaca que a participação dos estudantes foi decisiva para o sucesso da iniciativa. "Trabalhar com a turma foi uma experiência muito bacana, porque os alunos se envolveram e fizemos, no final, uma cerimônia de entrega bastante especial", afirmou. Para ele, um dos principais aprendizados proporcionados pelo festival foi a construção coletiva. "No fim, todo mundo participou de uma maneira ou de outra. Esse foi o primeiro aprendizado: o trabalho coletivo e uma realização que acaba sendo prazerosa para todos."
Além de estimular a produção audiovisual, o festival também buscou ampliar as discussões sobre violência de gênero e direitos humanos. João da Cruz ressalta que a temática escolhida está diretamente relacionada aos conteúdos trabalhados em sala de aula. "A disciplina que ministramos é Relações de Gênero e Direito. A ideia era promover o debate, a reflexão e a criação artística em torno desse tema. O feminicídio é um fenômeno social extremamente preocupante no Brasil e que demanda muitas intervenções para que possamos melhorá-lo", destacou.
Animado com os resultados da primeira edição, o professor já projeta a continuidade da iniciativa. "Eu espero que, se pegar essa disciplina no ano que vem, já faça a versão dois do festival. Espero que tenha mais concorrentes e um alcance ainda maior", afirmou.
Após a cerimônia de premiação, os participantes puderam compartilhar experiências e celebrar o encerramento do festival em um coffee break oferecido pela Coralí Pães, parceira do evento, que contribuiu para tornar o momento ainda mais acolhedor e especial para todos os presentes.


