UFG amplia rede de acolhimento a refugiados com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello | Direitos Humanos UFG
banner_notícia_cátedra
#ParaTodosVerem:
Imagem com fundo claro e elementos gráficos em tons de azul. Ao centro, há um símbolo em formato octogonal com a sigla “CSVM”. Abaixo, aparece a palavra “Cátedra” e, em destaque, o nome “Sérgio Vieira de Mello”. O símbolo é acompanhado por ramos estilizados nas laterais, formando uma composição simétrica. Trata-se da identidade visual da Cátedra Sérgio Vieira de Mello.

UFG amplia rede de acolhimento a refugiados com a Cátedra Sérgio Vieira de Mello

Atualizada em 05/05/26 13:15.

O programa vinculado à ONU integra ensino, pesquisa e extensão voltados à população refugiada

banner_notícia_cátedra#ParaTodosVerem:Imagem com fundo claro e elementos gráficos em tons de azul. Ao centro, há um símbolo em formato octogonal com a sigla “CSVM”. Abaixo, aparece a palavra “Cátedra” e, em destaque, o nome “Sérgio Vieira de Mello”. O símbolo é acompanhado por ramos estilizados nas laterais, formando uma composição simétrica. Trata-se da identidade visual da Cátedra Sérgio Vieira de Mello.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) ampliou suas ações de acolhimento e inclusão de refugiados por meio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM). A implementação ocorreu em 5 de março de 2021, mediante um acordo de cooperação com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), visando promover educação, pesquisa e extensão voltadas à população refugiada e imigrante forçada em Goiás.

Presente em diversas instituições de ensino superior no Brasil, a Cátedra tem como objetivo promover a proteção de pessoas refugiadas e incentivar a produção de conhecimento sobre migração e direitos humanos.

Andréa Vettorassi, coordenadora da CSVM na UFG, explica que as ações envolvem diferentes unidades acadêmicas, abrangendo desde atendimentos diretos até atividades informativas. “São várias unidades desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de um espaço no Núcleo de Direitos Humanos para acolhimento e atendimentos”, afirma.

Entre as iniciativas desenvolvidas, estão: assessoria jurídica, aulas de português, atendimento psicológico e odontológico, além de pesquisas acadêmicas em diferentes níveis, da iniciação científica ao doutorado. Segundo a coordenadora, boa parte das pesquisas é desenvolvida por próprios estudantes migrantes, o que fortalece a integração.

Fortalecimento institucional e desafios
A consolidação das ações está relacionada ao fortalecimento institucional da iniciativa dentro da universidade. “A Cátedra se tornou uma estrutura robusta, com várias unidades acadêmicas, além de apoio institucional e financiamento”, destaca Vettorassi. Segundo ela, o vínculo com organismos internacionais contribui para o reconhecimento das atividades: “Existe um Selo da ONU que chancela o trabalho desenvolvido dentro da universidade, o que é muito importante”.

O apoio da ONU reflete-se em ações concretas, como doações de computadores, impressoras e itens básicos. Além disso, os estudantes migrantes atendidos têm acesso às políticas de assistência estudantil da UFG, como cotas e auxílios de moradia e alimentação, baseados na condição socioeconômica.

Apesar dos avanços, o trabalho enfrenta desafios, especialmente no acompanhamento dessa população. Muitos migrantes estão em trânsito, o que dificulta o monitoramento contínuo. Outro ponto é a identificação desses estudantes na própria instituição. “Em muitos casos, eles nem chegam até a Cátedra e acabamos não sabendo da existência deles”, completa a coordenadora.

A ausência de dados precisos também impacta o planejamento. Como os perfis são diversos (alguns vêm por convênios, outros ingressam pelo Enem como cidadãos brasileiros), torna-se difícil precisar o número exato de estrangeiros. “O ACNUR solicita dados, mas nem sempre conseguimos ter essa precisão”, conclui.

Visão acadêmica e papel do Estado
O professor do curso de Relações Internacionais João Roriz, da área de Direitos Humanos da UFG, destaca a necessidade de o Brasil avançar no preparo para o acolhimento. Segundo ele, limitações estruturais não justificam a exclusão. “O Brasil precisa estar preparado para receber migrantes e refugiados. Mesmo sendo um país com dificuldades em políticas públicas, isso não impede que essas pessoas tenham acesso a saúde, educação e outros direitos básicos”, afirma.

Roriz também chama a atenção para a vulnerabilidade no acesso a serviços e na integração social, ressaltando que o trabalho não deve ser exclusivo da Cátedra, mas do Estado. “Essas pessoas muitas vezes chegam em situação mais vulnerável que a população local, sem domínio da língua e sem informação sobre seus direitos, o que amplia as desigualdades”, explica.

No ambiente acadêmico, o professor enfatiza que as dificuldades com o idioma e a necessidade de trabalhar impactam diretamente a permanência do estudante. Para o professor, a universidade é fundamental na formação e promoção de debates, mas defende que as políticas públicas devem ser ampliadas, já que as cátedras não substituem a responsabilidade governamental.

Atuação Estratégica do ACNUR
De acordo com informações da assessoria do ACNUR no Brasil, o organismo atua estrategicamente na proteção e integração de refugiados por meio de parcerias com universidades.

Presente em estados como Goiás, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, o ACNUR fortalece a educação e incentiva a produção de conhecimento. Mais do que números, a atuação reafirma o compromisso com a dignidade e a criação de oportunidades reais de recomeço para quem busca reconstruir a vida no Brasil.

Serviços oferecidos pela Cátedra em Goiânia:

  • Ensino de língua portuguesa: Parceria entre o projeto Idioma Sem Fronteiras da Faculdade de Letras (FL/UFG) e a Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI).
  • Apoio Psicológico.
  • Assessoria Jurídica e Administrativa.
  • Assessoria Educacional.
  • Inserção no mercado de trabalho: Em parceria com a AVSI.

Informações de contato:

  • E-mail: csvm@ufg.br ou csvm.ufg@gmail.com
  • WhatsApp: +55 (62) 3521-2624

 

Texto: Libania Vieira
Revisão: Isadora Otto
Supervisão: Michael Valim

Categorias: Notícias Noticias