Jornada de Acolhida 2026 aborda ética na pesquisa e desafios da vida acadêmica
Evento destaca que a formação em direitos humanos vai além da teoria e se constrói no diálogo acadêmico
A Universidade Federal de Goiás realizou, no dia 7 de abril, a Jornada de Acolhida 2026, realizada pelo Núcleo de Direitos Humanos (NDH) e pelo Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos (PPGIDH), com atividades voltadas à recepção de novos discentes e à integração com a comunidade acadêmica.
A programação foi iniciada pela mesa-redonda “Ética e Integridade na Pesquisa: princípios e responsabilidades na pós-graduação”, mediada pela professora doutora Helena Esser, que reuniu a professora doutora Rosana Marques, coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), e o professor doutor Daniel de Brito, membro do Comitê de Integridade Acadêmica (CIA).
O debate abordou procedimentos éticos, responsabilidades na produção científica e desafios enfrentados por pesquisadores no contexto acadêmico contemporâneo. Entre os temas discutidos, estiveram o uso de inteligência artificial na pesquisa e os cuidados necessários em relação às chamadas editoras predatórias.
Participantes compartilham experiências e reflexões durante mesa da Jornada de Acolhida 2026.
Na sequência, foi realizada uma mesa dedicada ao tema “Vida acadêmica no NDH: caminhos, desafios e oportunidades”, composta por discentes e docentes, e organizada em dois momentos. O primeiro foi mediado pelo professor doutor Elson Santos, docente permanente do programa e coordenador da Comissão de Bolsas e da Comissão de Acompanhamento Discente. A conversa contou com a participação dos egressos do PPGIDH, professor doutor Marcos Reis e professora doutora Carolina Hissa, que compartilharam suas experiências no processo de doutoramento, os desafios dessa etapa e as estratégias encontradas para atravessar esse período, incluindo o contexto da pandemia.
Roda de conversa aborda o combate ao capacitismo e promove reflexão sobre inclusão e respeito às pessoas com deficiência.
O segundo momento foi voltado à conscientização e ao combate ao capacitismo, com a participação da professora doutora Cerise Campos e do mestrando Renato Magno. Durante a atividade, Renato compartilhou sua experiência como, muitas vezes, a primeira pessoa com deficiência a ocupar determinados espaços, incluindo o próprio NDH. Seu relato abordou os desafios de inserção, permanência e reconhecimento nesses ambientes. A vivência como músico com deficiência e a forma como se posiciona no mundo constituem referências centrais de sua pesquisa, que aborda a temática a partir da autoetnografia como metodologia.
Ao articular debates sobre ética na pesquisa, trajetórias acadêmicas e enfrentamento ao capacitismo, a Jornada de Acolhida evidencia que a formação em direitos humanos não se restringe ao domínio teórico, mas envolve a experiência concreta dos sujeitos que atravessam — e tensionam — esses espaços. Nesse sentido, o encontro não apenas marca o início de um novo semestre, mas reafirma o compromisso do programa com uma produção de conhecimento situada, crítica e atenta às desigualdades que estruturam o acesso e a permanência na universidade.
Texto: Ludmila Lima
Fotos: Isadora Otto e Michael Valim




